Descubra 10 tradições de amabilidade de todo o mundo a conhecer

Para difundirmos um pouco mais de alegria, vamos mostrar como é que as pessoas demonstram amabilidade por todo o mundo, desde tradições culturais ancestrais a atos de generosidade mais modernos. Talvez o(a) inspirem a fazer a diferença hoje, sendo amável consigo ou com outra pessoa.

 

  1. África Austral: Ubuntu

Embora popularizada por líderes sul-africanos como Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu, é uma ideia que é comum a várias culturas da África Austral. A palavra vem de um provérbio Nguni “umuntu ngumuntu ngabantu", cuja tradução seria “uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas”. No Malaui, chama-se uMunthu. No Zimbabué, os Shona chamam-lhe unhu. Em todas estas línguas, o significado é o mesmo: “eu existo porque existimos”. Resumindo, um ser humano não pode viver isolado e as relações dentro de um grupo são mais importantes do que cada indivíduo.

O sentido profundo de que somos humanos apenas através da humanidade dos outros, se queremos conseguir algo neste mundo, vai ser, em igual medida, devido ao trabalho e conquistas de outros.

Nelson Mandela

Para algumas pessoas, o Ububtu é como uma força da alma que nos empurra a fazer ações altruístas que beneficiam a comunidade. Manifesta-se em atos de bondade e compaixão, como partilhar recursos, cuidar dos demais ou das crianças de uma comunidade. Não admira que o provérbio “é preciso uma aldeia para criar uma criança” tenha origem em África.

 

  1. Japão: Omotenashi

Frequentemente descrito como o país mais educado do mundo, a tradição japonesa da hospitalidade desinteressada tem origem numa prática conhecida como “motenashi” ou “omotenashi.” O fundamento da cultura japonesa baseia-se na tradição secular do sadō (cerimónia do chá). Para além de servir e tomar chá, um dos principais objetivos da cerimónia do chá é o anfitrião garantir que todas as necessidades dos seus convidados são satisfeitas sem esperar nada em troca e os convidados desfrutarem da hospitalidade do anfitrião demonstrando a sua gratidão. Isto cria um ambiente de harmonia e respeito.

 

Omotenashi é frequentemente traduzido como “hospitalidade”, “espírito de serviço” ou “antecipação das necessidades dos outros”. Muito antes de a COVID-19 fazer do uso de máscaras faciais em zonas públicas uma norma global, os japoneses já utilizavam máscaras cirúrgicas para evitar contagiar os outros com as suas constipações. Os vizinhos também costumavam oferecer detergente da roupa a outros vizinhos antes de começarem a fazer obras em casa, um gesto para ajudar a eliminar o pó das roupas que, inevitavelmente, se acumula nessas situações.

 

  1. Grécia: Philoxenia

Na Grécia Antiga, demonstrar a hospitalidade adequada era considerado um mandamento dos deuses, especificamente de Zeus (Xenios), o deus dos estrangeiros. Se um convidado ou estrangeiro batia à porta de alguém, essa pessoa tinha a obrigação de lhe oferecer comida e alojamento antes de fazer qualquer pergunta. Por outro lado, do convidado esperava-se que demonstrasse respeito nunca ficando mais tempo do que era bem-vindo. Não cumprir alguma destas obrigações significava arriscar-se a enfrentar-se à ira dos deuses. E todos sabemos por quanto tempo podem guardar rancor.

 

Formada a partir das palavras gregas xenia (o conceito de mostrar generosidade e cortesia aos viajantes que se encontravam longe de casa) e philo (cuidado), a ideia ficou conhecida como philoxenia, ou amor pelos estrangeiros (e mais tarde, hospitum ou hospitalidade).

 

  1. Itália: Caffè Sospeso

Segue-se o “caffè sospeso” ou “café suspenso”. Há mais de 100 anos, esta tradição teve início em Nápoles e refere-se a pessoas que tiveram um bom dia ou que têm vontade de fazer algo simpático e pedem dois cafés “suspensos” num bar. Pagam um café, mas só bebem um. Depois, outra pessoa entra no bar e pede o “café suspenso”, se estiver a precisar de um gesto de bondade sob a forma de café.

 

  1. Singapura: The Singapore Kindness Movement

Em Singapura deram um passo mais além e transformaram a amabilidade num movimento oficial. The Singapore Kindness Movement é uma organização sem fins lucrativos inspirada pelo ex-primeiro ministro Goh Chok Tong. Considerada oficialmente uma “instituição de caráter público”, trabalha para inspirar a bondade nos habitantes locais, com sinais nos autocarros e dicas no site, é até possível fazer um questionário para descobrir quão amável é e como pode melhorar.

 

  1. Irão: muro da amabilidade

Em 2015, algum anónimo construiu um “muro da amabilidade” em Mashad e a ideia rapidamente difundiu-se por todo o Irão. Um “muro da amabilidade” funciona como um espaço público de doação de roupa, de comida ou de qualquer outra coisa de que quem dá já não precisa. Se uma pessoa que passar precisar de alguma coisa, pode simplesmente levá-la de forma gratuita. Este movimento baseia-se na cultura persa e nas palavras dos poetas ancestrais, como Rumi, que promoviam as virtudes da bondade. Este espírito de bondade também está presente na arte persa da etiqueta, ou taarof, que põe a educação em primeiro lugar em qualquer interação social.

  1. Nova Zelândia: Kaitiakitanga

Existe a amabilidade para connosco, para com os outros e para com o mundo em que vivemos. A Nova Zelândia é um excelente exemplo de um país com uma cultura que reconhece esse facto. Kaitiakitanga, que significa proteção, é a prática do kaitiaki, o conceito Māori de proteger o céu, o mar e a terra. É uma forma de gerir o meio ambiente, baseada na visão Māori do mundo. A tribo iwi local escolhe uma pessoa ou grupo que age como guardião de um lago ou uma floresta. Uma curiosidade: em 2017, o governo da Nova Zelândia atribuiu ao Rio Whanganui, no jorte da ilha, os mesmos direitos legais dos seres humanos, o que significa que fazer algo que danifique o curso de água é penalizado da mesma forma que atacar uma pessoa.

 

  1. O festival judeu do Purim

Um dos costumes de caridade e amizade mais importantes do Purim é oferecer comida, mishloach manot. Fazer um mitzvah, ou boa ação, e dar aos pobres, aos anciãos e aos menos afortunados é considerado um ato virtuoso.

 

  1. Filipinas: Tulong

Ajudar as pessoas cujas necessidades são imediatas e temporárias, Tulong, pode significar partilhar comida, dinheiro ou até um sítio para ficar. O Tulong foi especialmente evidente após uma série de desastres naturais que fez com que milhares de pessoas no país ficassem necessitadas. Embora o conceito, inicialmente, fosse a muito menor escala, com familiares que se entreajudavam, cresceu para incluir mais tipos de dádivas. Tulong-aral, por exemplo, é a ajuda dada especialmente ao nível do ensino.

 

  1. China: Mudita

Talvez conheça o termo alemão “schadenfreude”, uma emoção complexa na qual, em vez de simpatia, uma pessoa sente prazer ao ver a desgraça alheia. Bom, o conceito chinês Mudita é exatamente o contrário. Baseado na tradição budista de praticar a alegria altruísta, tem a ver com a felicidade que sentimos com another's a boa sorte ou as conquistas. Este apreço pelas e das outras pessoas pode ser cultivado através da meditação e do mindfulness.

 

Laura Wabeke

Laura Wabeke

Tradutora, editora e copywriter, Laura Wabeke tem um fascínio pelas palavras e pelas inúmeras formas inovadoras em que podemos utilizá-las para nos expressarmos. Depois de nove anos a trabalhar por conta própria – entre a indústria de viagens, agências de meios de comunicação, publicidade e edição de livros –, agora, esta copywriter in-house é fluente em ioga, meditação, mindfulness e em adotar a filosofia da marca de encontrar beleza e felicidade nas pequenas coisas.