Porque é que a automassagem deve estar na sua rotina diária de cuidados pessoas (e como fazê-la)

No Ocidente, as massagens são vistas como um luxo, que exige reservar hora com um profissional para uma ocasião especial ou em determinadas circunstâncias físicas. No entanto, no Oriente, as massagens são parte integrante dos cuidados pessoais para o corpo e a mente. A especialista Deborah explica a sua relação pessoal com este ritual, como se faz e porque é que devia considerar começar a praticá-lo.

 

Durante a minha formação avançada de ioga para ser instrutora, ensinaram-nos a explorar a prática ayurvédica do “abhyanga” ou automassagem. Inicialmente, tinha as minhas dúvidas acerca desta prática. Na cultura ocidental, a massagem associa-se, normalmente, com ir ao spa ou fazer tratamentos durante alguns meses. Não é algo que incluamos na nossa rotina diária ou que nós próprios façamos. Pensei que seria uma complicação ter mais uma “coisa” para fazer todos os dias.

 

Mas sei, pela minha experiência, que não devemos julgar as coisas demasiado rápido. Se experimentarmos alguma coisa só uma vez, nunca temos a oportunidade de descobrir os seus verdadeiros benefícios. Por exemplo, quando começamos a ir ao ginásio, não vamos só uma vez e esperamos ver os resultados no dia seguinte. Começamos um programa de treino e percebemos que demora o seu tempo até ganharmos força e vermos os resultados. Portanto, decidi dar uma oportunidade a esta automassagem ayurvédica, fazê-la diariamente e ver por mim o que acontecia (ou não).

 

Como fazer

Segundo o The Chopra Center, a técnica é a seguinte:

 

1. Utilize óleo quente. Numa posição confortável, de pé ou sentado, aplique o óleo começando pelo alto da cabeça.

 

2. Depois, trabalhe lentamente em movimentos circulares em direção ao exterior, massajando a totalidade do couro cabeludo durante uns minutos.

 

3. Depois, passe para o rosto, fazendo movimentos circulares na testa, nas têmporas, nas maçãs do rosto e no queixo. Não se esqueça de incluir as orelhas e os lóbulos das orelhas, que têm pontos essenciais da acupunctura e terminações nervosas.

 

4. Utilize movimentos longos nos braços e pernas, com movimentos circulares nas articulações. Não se esqueça de massajar sempre em direção ao coração.

 

5. Massaje o abdómen e o peito com movimentos amplos e circulares, seguindo as linhas naturais dos intestinos quando massajar essa zona.

 

6. Termine a massagem dedicando uns minutos aos pés, que contêm terminações nervosas importantes e pontos de reflexologia que se relacionam com os principais órgãos do corpo.

 

7. Se possível, utilize o óleo durante 5 a 15 minutos e depois tome um banho ou duche quente, evitando esfregar o corpo vigorosamente.

 

Aproveite os benefícios físicos e emocionais da automassagem

Não faltam estudos sobre os benefícios das massagens, encontrando-se entre os principais a diminuição da dor e da inflamação muscular, melhoria da digestão e da circulação, estímulo da desintoxicação do corpo, redução do stress e aumento das substâncias químicas corporais que nos fazem sentir bem.  

 

A revista Times citou Tiffany Field, diretora do ​Touch Research Institute da Universidade de Miami, nos EUA, dizendo o seguinte: “Os recetores de pressão que se encontram debaixo da pele, quando estimulados, aumentam a atividade vagal.”

 

Isto refere-se ao nervo vago, uma parte importante do nosso sistema nervoso, que influencia o batimento cardíaco, a respiração e a digestão. Segundo o mesmo artigo, “aumentar a atividade do nervo vago pode ter, entre outros benefícios, um efeito calmante semelhante ao da meditação, o que poderia explicar a diminuição do cortisol e de outros sintomas relacionados com o stress.”

 

Devo admitir que esta foi definitivamente a experiência que tive quando comecei a fazer esta prática diária durante muitos meses. Senti-me muito mais relaxada ao longo do dia. Senti menos tensão nos músculos e nas articulações. A minha digestão melhorou e comecei a sentir-me mais leve.

 

Um verdadeiro ato de amor-próprio, gratidão e cuidado.

No entanto, o que mais me surpreendeu do abhyanga foi a conexão diária que consegui estabelecer com o meu corpo. O ritual tornou-se um ato de autorreverência e amor-próprio. Apercebi-me da quantidade de vezes que não me preocupo com o meu corpo ou, pior ainda, o critico ou abuso dele. Durante a automassagem lenta e intencional, senti-me muitas vezes inundada de sentimentos de gratidão. Gratidão pelo milagre do corpo e do seu funcionamento automático e incansável ao nosso serviço, continuamente.

 

Comecei a sentir-me regenerada (uma maravilhosa sensação de recuperação). E à medida que os sentimentos de regeneração e de amor-próprio aumentavam, muitas coisas mudaram de forma inesperada. De repente, conseguia ouvir mais o que o meu corpo queria ou necessitava. Descansava mais. Fazia mais exercício. Comia comida mais saudável. E surpreendeu-me francamente ver como um simples ritual teve um efeito tão maravilhoso na forma como cuido de mim.

 

Incentivo-o(a) a experimentar, com a mente aberta e muita curiosidade. O que é que este exercício simples pode oferecer-lhe ou ensinar-lhe?

 

Escrever este artigo na verdade inspirou-me a retomar novamente esta prática. Como mãe de um bebé de um ano que já anda e que não para quieto, o meu corpo e a minha mente agradeceriam. Embarcamos juntos nesta aventura? Não temos nada a perder e muito a ganhar. O corpo é um templo. E merece toda a nossa atenção. 

 

Deborah Quibell

Deborah Anne Quibell é escritora, healer e professora profissional e acredita apaixonadamente na aplicação do conhecimento académico fundamentado nas áreas da yoga e da espiritualidade. É instrutora superior no Instituto de Estudos Internos, possui um doutoramento em Psicologia Profunda e dá aulas de Cura Prânica, para além de yoga e meditação, em estúdios, empresas e online.